É a própria experiência de quem se aventura na experiência da vida que consusbtancia a experiência do viver. Causa última e primeira... Nasce-se artista para a vida. Ensaia-se. Experimenta-se. Vive-se. São experiências de vida em palavras com alma, com alma e cor nas palavras
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Sem Rumo Certo
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
O Céu visto da Terra - Margareth
Repórter TVI, dia 11.10.2010.
Porque há Estrelinhas que partiram da Terra...
Porque há Caminhos que conduzem ao Céu...
Porque há tormentos que mostram o Inferno...
E porque há rostos belos que importa não esquecer;
E porque há mortes que ensinam a brevidade da vida;
E porque há vidas que mostram a morosidade da morte...
domingo, 10 de outubro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Sempre, Margot, minha estrelinha azul
Sem palavras. Sem comentário. Quis pôr o "vídeo" caseiro, que nasceu do meu fraco pc do programa e.escola. Este foi o vídeo apresentado no dia 30 de Agosto em Constância.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Margot, Estrelinha Azul (o livro)



(Dia 30 de Agosto de 2010, 18 horas, Casa-Memória de Camões em Constância)
sábado, 24 de julho de 2010
Motivos que Motivam...

Se em cada dia nos interrogarmos sobre os motivos que nos afastam disto ou daquilo;
Se em cada dia apenas perguntarmos "porquê"...
Talvez encontremos respostas;
Talvez encontremos motivos;
Talvez reste apenas "porquê".
Interrogo-me. Tu interrogaste-te e interrogaste-me. Não soube dar-te respostas. Tu não exigiste respostas.
Restam os motivos. O que nos conduz por este ou aquele caminho. Uns conhecidos, outros nem tanto; Uns que se traçam, outros traçados desde sempre. Percorremo-los. Ainda que não se conheçam os motivos.
Eu corro. Nem sempre. Como todos. Como todas as pessoas fazem algo na vida. Umas vezes fazemos, outras nem por isso. Já fiz outras coisas. Ainda faço outras coisas. Os motivos, esses nem os conheço. Entrego-me apenas. Outras vezes, fico quieta a olhar para o tecto. Ou para a copa de uma árvore. Ou para o céu. Ou para além do horizonte.
Continuo a interrogar-me.
Em breve se completarão 3 anos sobre a data que partiste. Até que tiveste voz para falar e força para sonhar, sonhaste e falaste. Preparaste uma Festa, como dizias "A 4 em 1". Festejaríamos o teu casamento, o teu aniversário, a tua alta hospitalar e a entrada numa outra Faculdade e num curso diferente. Não sei se acreditavas que era possível...(hoje, penso que não, mas quiseste que acredtássemos até ao fim). No dia 2 de Setembro festejaríamos "4 em 1". Um Domingo...um início de semana. Início de um ciclo de vida. Afinal, um ciclo encerrado apenas...
Pregaste-nos uma partida e partiste mesmo!
Continuo a assinalar o dia do teu aniversário. Agora, no dia seguinte assinalo também o dia do teu falecimento. Não é mórbido. Apenas quero que continues a existir para os outros, já que para mim sempre existirás. Que o teu testemunho de coragem nao seja esquecido. Que motives outros a seguir e a percorrer caminhos...
Uns correm. Outros....outros....
Por isso, há motivos que motivam...
Encontro de amigos em Constância, onde agora repousas, estrelinha azul.
Dia 30 de Agosto, dia do aniversário do teu nascimento, pelas 18 horas, na Casa Memória de Camões em Constância será apresentada uma parte da tua história de vida: Margot, Estrelinha Azul.
Dia 31 de Agosto, dia em que partiste, será celebrada missa em tua memória na Igreja Matriz de Constância (Igreja de Nª Srª dos Mártires), pelas 19 horas.
Continuo a interrogar-me sobre os motivos da Vida e da Morte. Continuo. Eu optei por correr. E corro porque não quero parar. Ainda que páre, por momentos, como todos...
sábado, 13 de junho de 2009
S. Vicente de Fora -10 de Junho de 2009
Ninguém fica indiferente à beleza de Lisboa. Esquece-se rapidamente a dor de cabeça, repousando o olhar nas águas do Tejo. Passeia-se o pensamento pelos becos e ruelas. Recuamos a outros dias, outros 10 de Junho, mais felizes, quando em vez de uns calções envergava um traje da nobreza quinhentista.
Em Constância, nesta data, passeava pelo Mercado Quinhentista. Simulava ser a anfitriã de um sarau ou integrava a comitiva que recebia o emissário d´El- Rei, em dia festivo de atribuição de Carta de Foral...
Há alguns anos - talvez uma eternidade - que as Pomonas Camonianas não fazem parte da minha vida. Esse tempo passou...
Lisboa, veste-se de festa para celebrar os Santos Populares. Com especial relevância para Santo António, o Santo Casamenteiro (como dizia o povo), armam-se altares, enfeita-se cantos e recantos com balões e manjericos. À noite, o cheiro da sardinha assada, há-se insinuar-se, irresistível numa fatia de pão...depois, as marchas sairão à rua e a noite terminará perto da madrugada, com uma ginginha no copo e um salto ao bailarico...
A Corrida de São Vicente de Fora, freguesia onde está instalada a Sede do Clube do Sargento da Armada, não é uma prova fácil. Dir-se-ia que Lisboa se elevou ainda mais, deixando o Tejo a seus pés e subiu...subiu... para ficar pertinho do céu...
Fiquei bem classificada no meu escalão, mercê de algum qualquer golpe de sorte...
1º lugar, Vet.III
Um obrigada especial ao António que é sempre o meu "mentor" nas corridas... "falta pouco" ...
Para ele, a Meta é sempre "já ali"...
As próximas Provas...
GRANDE PRÉMIO ENTRONCAMENTO - 21 DE JUNHO
Corrida das Fogueiras
Lagoa de Santo André
sexta-feira, 27 de março de 2009
Grande Prémio de Constância...
...ou correr por uma causa
A corrida, ou melhor, o prazer da corrida mobiliza multidões.
Corre-se apenas porque sim, corre-se porque há motivos que nos impelem, corre-se também porque há causas que nos unem. Causas mais ou menos próximas, mais ou menos abrangentes, de carácter solidário e social; causas que apoiam e/ou sensibilizam para esta ou aquela problemática...não vale a pena enumerá-las, são de todos, sobejamente conhecidas. Eu também já corri por muitas causas. A que mais me sensibiliza é a Corrida Terry Fox porque revejo nesse jovem o exemplo vivido pela minha filha. Ambos foram vencidos pela doença, mas ficou a sua coragem e determinação.
Constância será brevemente, e uma vez mais, a anfitriã de uma corrida emblemática. Correr junto aos braços verdes do Zêzere e do Tejo, passear pelas sinuosas ruas floridas, contemplar as arcadas e descobrir recantos, saborear as famosas migas carvoeiras, ou prolongar a estadia e participar nas Festas do Concelho (nas quais a prova de atletismo está integrada) e de Nossa Senhora da Boa Viagem, em que, invocando a protecção de Nª Senhora, se abençoam embarcações e viaturas, são sem dúvida atractivos suficientes para visitar a Vila-Poema, por alturas da Páscoa.
O ano passado não corri em Constância. Não tive coragem. Tinha corrido há dois anos. Este ano penso correr. Pensei também levar a efeito algo que já tinha pensado no outro ano...
Correr com a mesma t-shirt com que fiz a minha primeira Meia Maratona em memória da minha filha. Correr lembrando a Margaret em Constância tem um duplo significado: homenagear a sua coragem e a sua luta na luta contra o cancro e recordá-la a quem vir o seu rosto. Recordar ainda que esse rosto tão belo e suave está sob sete palmos de terra, lá no alto, junto à Igreja Matriz, num "amontoado" de areia à espera de sepultura mais digna.
Porque tarda tanto um pedido tão simples?
No Grande Prémio de Constância vou correr pela Margaret.
Haverá mais alguém?


(na Meia de Lisboa)
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Meia Maratona de Lisboa - Lembrança
de 2 Dezembro de 2007
A minha filha morreu de cancro, no dia 31 de Agosto de 2007. Um dia depois de ter completado 24 anos. A doença espalhou-se e deixou de ver e de ter mobilidade. Sofreu, mas foi uma heroína. A morte venceu-a, mas não destruíu o seu exemplo de coragem e de vida.
Ela tinha orgulho nas "corriditas" da mãe. Ontem, 3 meses e 1 dia depois de ter sido sepultada, corri por ela a Meia Maratona a que teria adorado assistir e aplaudir.Há muitos motivos ara correr. Também pode ser uma forma de demonstrar o amor por uma filha. Também pode ser uma forma de homenagear alguém inesquecível...Há uns anos atrás, não muitos, escrevia discursos. Sim, a propósito desta ou daquela cerimónia ou de outra qualquer situação que requeresse as "tradicionais palavrinhas". Escrevia cartas formais e ofícios com o mesmo entuiasmo com que escreveria um belo romance. As funções eram outras e eu era a Paula "das flores" - como dizia o meu grupo de trabalho. Queria isso dizer que fugia da frieza e objectividade das comunicações oficiais com que quase sempre se reveste a linguagem formal (oral e escrita).A minha filha era a minha crítica. Sempre que podia, perguntava-lhe a opinião. Lia-lhe. Ela escutava, criticava e analisava. Eram pequenos pormenores de uma grande cumplicidade que existia entre nós.Comecei a correr há pouco mais de um ano. Passei a tentar relatar essas experiências. A sua situação de saúde agravou-se e com ela o terreno das "flores" foi-se tornando estéril. Já não floresciam as urzes audazes dos montes, nem os malmequeres simples nas encostas, nem as papoilas escarlates nas veredas. Ainda assim, ela deliciava-se com as narrativas das minhas corridas.A mãe, à qual associava em outros tempos os saltos finos e altos, era agora vista com uns ténis e uma cor avermelhada nas faces, esbaforida por ter ido correr. Criei uma imagem diferente. Mas ela, adorava igualmente essa mãe e a mãe adorava cada vez mais essa filha. Dia-a-dia a sua coragem de viver, de lutar contra a doença sem um queixume, pensando sempre nos outros, construíndo sonhos para o seu futuro mais próximo e mais longínquo tornou-se quase insustentável para nós que com ela convivíamos e a amávamos, por não nos sentirmos à altura deste ser verdadeiramente excepcional.Por isso, todos os gestos simples que possamos fazer, os fazemos em sua memória. Por mais complicada ou desgastante que possa ser a situação, o esforço será sempre um grão de areia perante a grandiosidade do que foi a sua vida e daquilo que merecia. Ainda que lhe pudesse oferecer o Céu e a Terra seriam presentes pobres.Ontem, ofereci-lhe a corrida em que participei. Hesitei em ir por várias razões. Duvidei de mim e dos motivos que me levaram a correr. Era por ela, mas tive medo que fosse também por mim. Deveria ser apenas por ela. Eu deveria ser as suas pernas, novamente funcionais e os seus olhos novamente a verem. Antes do tiro de partida, beijei a sua estrelinha azul (que trago sempre ao peito) e segredei-lhe:"Filhota, corre comigo".Quase a podia ver a correr ao meu lado, outras vezes adiantando-se rodopiava brincando à minha frente...Saltitava como uma menina (que é), deslizava como um anjo que fosse, desvanecia-se a meus olhos como o nevoeiro difuso sobre o último braço de rio, para deixar ver, de novo, os seus contornos, por entre a proa dos navios atracados. Ela correu nas asas de uma gaivota, nos raios de sol que brilhavam e nas folhas amareladas que caíam...Ela correu comigo e eu corri por ela. Restituí-lhe os movimentos e com os meus olhos vi os que os dela tinham deixado de ver: a beleza desta velha cidade com cheiro a sal e a mar.Há ajudas preciosas e eu tive a sorte de ter uma amiga ao lado. Quem nos visse, de camisolas iguais, pensaria sermos irmãs. O meu mundo interior era um turbilhão, mas apenas deixava escapar gracejos e risos. Estas máscaras são conhecidas, não é? E eu começo a ser mestre na sua arte.Foi uma prova linda, bem organizada que eu gostaria de descrever ao pormenor, fazendo jus a tudo quanto de positivo aonteceu (e deve ter sido tudo). Não o faço. Outro, alguém de entre aquela imensa massa humana, registará fielmente a XXII Maratona de Portugal.Para mim foi a I Meia Maratona e corri os 21Km e 95m em memória da minha filha Margaret. É a ela que vou entregar a minha medalha.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Recordações de Abrantes- Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes
(aqui, um pouco inchada e marcada da radioterapia)Uma amiga da minha filhota, mandou-me um mail, cujo endereço descobriu através do blog. Pedi-lhe autorização e transcrevo algumas partes (OBRIGADA):
(a Lília pediu-me para colocar esta música; nesse tempo, passavam a vida a cantá-la)
http://br.youtube.com/watch?v=u0B-hJ_gotc
"Encontrei o seu blog e, tenho que confessar que só agora tomei consciência que a Margarette partiu mesmo..
Jamais esquecerei o primeiro dia em q a vi ( no liceu ).. Tinha 14/15 anos.. Era linda.. aqueles olhos rasgados.. o que a distinguia de todos os outros era a forma de vestir… Infelizmente ainda somos avaliados pelo que vestimos e não pela pessoa que somos.
Muitos riam, muitos gozavam mas, a Margarette nunca baixou os braços, seguia sempre com a cabeça erguida! Essa era a qualidade que mais admirava nela! A capacidade de ser ela própria sem se importar com o que os outros pensavam. Nunca tive consciência que isto pudesse acontecer apesar da doença… não à Margarette.. a minha melhor e mais verdadeira amiga.. "
......
"Em anexo estão duas fotos, as quais achei que gostaria de ver.. a primeira foi tirada na ultima vez que a vi.. não sei precisar mas penso q foi no inicio do ano passado.. Ela veio passar a tarde comigo e, deu-me a noticia q há muito esperava ouvir.. disse-me: "Lília já não estou doente.. deixei de tomar a medicação, afinal não tinha aquela doença que me roubou anos… Estou a trabalhar, estou bem"… Fiquei tão feliz por ela.. Nunca imaginei que seria a ultima vez q estava a abraçar.. Mas, hoje ao olhar para trás, tenho a sensação que ela o sabia… Trazia na mala uma folha com msg trocadas entre nos em algumas aulas.. coisas banais mas q nos faziam voltar ao que nos costumávamos chamar "os melhores tempos das nossas vidas".. Passámos uma tarde muito agradável a relembrar os velhos tempos.."
Jornal Primeira Linha, 19 de Março de 1997
Reportagem sobre a banda da qual a Margaret fazia parte. Apenas com 14 anos, tocava baixo na banda, tendo actuado em vários locais, incluindo as Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem em Constância.
Para lá deste estilo de música (que eu detestava) de influência punk-rock, a Margaret tocava trompete na Banda Filarmónica do Entroncamento, desde os 8 ou 9 anos de idade.
Tocava piano desde os 5/6 anos, na Escola de Música do Entroncamento.
Flauta transversal e de bisel no Grupo Coral de Constância.
Violino a partir dos 14.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Dia Internacional da Luta contra o CANCRO
Não sei até que ponto se pode lutar quando este "bichinho" resolve vencer. Não sei quais as probabilidades de vencer ou ser vencido. Até porque já não quero saber das probabilidades para nada. Apenas sei que lhe devemos declarar "guerra". Lutar sempre, ainda que seja uma luta desigual.
Não pergunta de quem é a "casa". Não pergunta se pode entrar. Não pergunta se pode ficar. Parece-me que escolhe ao acaso sem olhar a nada nem a ninguém. Pode ser meu hóspede. Teu hóspede. Nosso hóspede.
Odeio-o.
Quem alojou este "diabinho" transmitiu-me a mensagem da não desistência. Da esperança. Da coragem. Do sorriso.
Não esqueçamos esta luta. Sobretudo por aqueles que não podem ser esquecidos; os nossos entes queridos, os nossos amigos, os nossos vizinhos, os nossos colegas de trabalho e aqueles que não conhecemos...
Há muitos nomes que lhe podemos chamar, mas se dissermos cancro, sentimos todo o mesmo calafrio...
Hoje, por mim, amanhã por ti...há dias que têm que ser assinalados...
Hoje, coloco de novo um rosto muito amado (como serão os outros filhos, os pais, os tios...) para que possam olhar os olhos de quem nunca os fechou na luta contra o cancro...até ao fim.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Soneto para a Margaret


Alma minha gentil, que te partiste
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
E se vires que pode merecer-te
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Margot, minha estrelinha azul

Estas são as palavras com que inicei um pequeno livrinho que relata um pouco da sua passagem na vida...
Era o ocaso do dia 31 de Agosto do ano de dois mil e sete.
O céu azul, salpicado de castelos brancos de nuvens, tomava uma tonalidade púrpura, assinalando o entardecer. O astro-rei descia no horizonte. Um chilrear ensurdecer de pardais, recolhendo aos plátanos que os protegiam da noite, fazia-se ouvir. Parecia que o tempo tinha parado, mas a nota alegre dos pequenos pássaros, abrigando-se na ramagem das árvores, contrastava com o silêncio amargo que entre o grupo de familiares e amigos se tinha instalado.
Era o ocaso de mais um dia estival. Tinha sido o ocaso da tua vida.
Neste entardecer, despojaste-te do teu corpo e partiste. Ele ficou, imóvel, indefeso, sem vida. O corpo de uma jovem mulher, com ar de menina, que a todos tinha encantado. Os seus olhos maravilhosos estavam fechados, porém, contemplavam já, o que transcende o olhar humano.
Esta é a tua história. Uma história de vida, de uma vida que não cabe em palavras. Esta é a história da vida de uma estrelinha que passou na terra e deixou um rasto de luz. Esta é parte da vida de uma jovem, a quem tive o privilégio de chamar filha.
Com amor,
mãe
NATÁLIA CORREIA - Creio nos Anjos
Creio nos anjos que andam pelo mundo,
quarta-feira, 25 de julho de 2007
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Desabafos

À imagem de Jesus Cristo, cada pessoa deve colocar a sua vida ao serviço do outro. Quantas vezes, esta postura nos traz dissabores, amarguras e mágoa no coração. Lágrimas furtivas que se escondem porque não seriam entendidas.…os patamares de entendimento não estão todos à mesma altura, nem todos nivelam a percepção do outro com base neste valor.
Continua-se a valorizar a pessoa por aquilo que tem, por aquilo que afirma continuamente que é, em poses ensaiadas, em frases estudadas, em afirmações planeadas de crenças e valores oportunamente adequados e nem sempre (muitas vezes) sentidos.
É a imagem que conta. É a imagem que vale. É, uma vez mais, o parecer e não o ser. Não importa, ninguém quer saber. Importa o que se aparenta. Importa o que se tem. Importa o exterior. Importa o acessório.
Aquilo que se é no íntimo, só no coração de cada um conhece. Só essa pessoa o sabe, quando sabe…quando nos momentos (se existem) de reflexão pessoal, de libertação plena de sentimentos e emoções e do fluir da consciência se faz presente, se é juiz dos actos praticados, das intenções desejadas, das verdades, mentiras e omissões e de sentimentos camuflados.
A grandiosidade de cada um só se pode afirmar na humildade de um coração autêntico, em gestos genuínos de desprendimento.
Mas não gostaríamos de ver reconhecida, um pouco dessa entrega e doação ao outro, tantas vezes de anulação pessoal, para felicidade alheia?
Não desejaríamos, tal como Jesus o deve ter desejado ardentemente, o reconhecimento da mensagem de amor, a retribuição da entrega, a valorização de tesouros intimamente cultivados que ocultamos aos olhos do mundo?
Ah! Pudéssemos falar todos a mesma linguagem, ver todos com os mesmos olhos, sentir todos com o mesmo coração e a felicidade estaria ao alcance da nossa mão.
Imaginemos duas pérolas autênticas e iguais. Qual terá mais valor? A jóia que alardeamos ao mundo, divulgando o seu valor, ostentando a sua posse ou a que singelamente adorna o colo suspensa num fio de um qualquer vulgar metal? Qual despertará mais a atenção? Porventura a que merece mais destaque, a outra passará despercebida, ignorada, ou será julgada jóia de imitação. No entanto, quem as possui sabe o seu justo valor.
Também toda a pessoa é uma jóia. No entanto, umas ostentam-se, outras resguardam-se de olhares avaliadores. Umas sabem o seu valor, outras nem imaginam que o têm, outras ainda fazem passar por autênticas, meras jóias de imitação.
E onde termina a liberdade reflexiva individual e começa a soberba de cada um, quando nos apercebemos destes paradoxos?
Possa eu, alcançar um coração puro, arrancar toda as ervas daninhas e entrarei na “cada de meu Pai”.
Quero ser humilde, pois só os humildes serão exaltados.
Quero receber injúrias e humilhações para conquistar um lugar na eternidade.
Arrancar todos os vestígios de ambição, de vaidade e cultivar sonhos. Quero voltar a ser jardineira de sonhos. Sonhar a dormir, sonhar acordada. Falar de sonhos, dos meus sonhos, de sonhos de Paz. De sonhos de Amor. De sonhos de um Mundo de sonho.
Não quero ter, quero ser. Ser autêntica. Ser cada dia melhor. Limar as minhas arestas e esbater imperfeições.
Queria companhia neste projecto de vida. Queria que uma multidão me acompanhasse. Queria um sorriso e uma palavra de compreensão. Para não vacilar. Para não me julgar e julgando criar soberba em mim.
Como disse S. Francisco:
“Senhor, fazei de mim, um instrumento da Tua Paz.
Onde houver ódio que eu leve o Amor…
Onde houver discórdia que eu leve a união…
….
Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a Vida Eterna”
Que a minha vida seja vivida com um sorriso nos olhos e uma palavra amiga nos lábios. Que o meu coração saiba entender. Que eu saiba escutar. Que eu saiba perdoar. Que eu saiba incentivar e dar coragem, mesmo quando tiver medo. Que eu saiba optar. Que eu caminhe sempre no Bem. Que eu saiba espalhar a Paz. Falar de Paz. Ter gestos de paz. Ser construtora da Paz.




